As ruas brilham de luzes espalhadas por todo o lado, especialmente consebidas para esta época.
Por todo o lado, vêem-se pinheiros enfeitados, com bolas coloridas, fitas e laços dourados. Nas lojas há embrulhos nas montras a simular presentes.
A televisão bombardeia-nos com "ideias", e dá muitas ideias aos mais novos que não têm noção da realidade dos preços.
As pessoas andam nas ruas, numa azáfama de compras, completamente louca. Compram tudo o que está na moda, por muito caro que seja... desde que fique bem aos olhos de quem recebe.
Expecialmente os centros comerciais, ficam apinhados de gente que se empurra para chegar mais perto de algo, como se não houve-se amanhã, como se não houve-se outras lojas fora dali.
Os preços dos alimentos tradicionais, sobem em flecha, para os comerciantes ganharem em apenas um mês, o que o simples povo junta durante vários.
É nesta época que os mais pobres, passam ainda mais dificuldades...
Depois fazem-se aquelas galas na TVpara angariar dinheiro para eles, e distribuir pelos que menos têm. Ficam todos muito bonitos, bem vestidos com roupas que custam fortunas, e com ar de felicidade, lembrando a todos que devem contribuir...
Sim é verdade, devemos ajudar quem precisa. E quem mais tem, mais o pode fazer.
Na realidade até o fazem , e bastante, porque nós até somos um povo solidário e respondemos aos apelos que nos são feitos,
mas o que nós não sabemos é se realmente esse dinheiro, e esses bens são entregues a quem realmente precisa.
Lembro-me de em pequena, juntar a familia toda em minha casa para a ceia. Eramos tantos... mas cabiamos lá todos, cheios de alegria. Depois do jantar , as mulheres iam para a cosinha fazer as rabanadas, o arroz doce, e os sonhos. Era pela noite dentro que se conversava e comia os doces acabados de fazer.
Eu, no dia de Natal era a primeira a acordar (cedissimo) e corria para a cosinha onde encontrava as minhas valiosas prendas em cima do fogão.
Que alegria, tinha esperado todo o dia anterior por isso, e agora lá estavam elas em cima do meu sapato... Eram autenticas surpresas. Não havia publicidade na TV, nem a variedade de agora.
Que saudades desse tempo.
Agora a familia já partiu. Apenas me restam três elementos, e nem sequer estão proximos.
É com eles que sonho acordada nesta época, relembrando esses Natais felizes onde, na minha inocência, não havia problemas.
Agora gerei a minha propria familia, onde tento manter as tradições, mas não é facil. Todas as pessoas são diferentes, têm habitos diferentes, e quando estamos em minoria, perdemos.
As crianças querem determinados brinquedos, que os outros também têm. Já ninguém acredita no Pai Natal, Os presentes vão aparecendo junto da árvore e abrem-se logo a seguir ao jantar, e no dia 25 já ninguém se lembra que dia é. Só se pensa no cabrito do almoço.
Pensando nisto tudo, gera-se a nostalgia, a tristeza, a saudade.
Não encontro o espirito do Natal em lado nenhum. Nem nas ruas, nem nas pessoas.
Até no País onde supostamente nasceu Jesus, esta época não se comemora. Antes pelo contrário, matam-se todos uns aos outros por questões religiosas que nada têm a vêr com a nossa, e onde os direitos humanos são completamente ignorados.
Não foi isso que Ele nos tentou ensinar.
Tenho a casa toda decorada com motivos da época, porque o bichinho está cá dentro e as miúdas empurram-me para isso.
Mas cá bem no fundo, sinto que o Natal é uma farsa cada vêz maior dos comerciantes, e cada vêz significa menos para os católicos.
Estou sempre desejosa que chegue o dia 26. Para mim significa que já acabou, pois é com tristeza que vos confesso que não gosto do Natal, apenas o suporto.
De qualquer das formas é para vós, amigos da blogosfera, que desejo do fundo do coração, um Natal cheio de Paz, Amor , União e felicidade.
Que este desejo também se multiplique por todos os povos do nosso mundo que se deteriora dia a dia, mas que ainda podemos salvar.
O Ano Novo que aí vem, que chegue cheio de coisas muito boas para todos. E que todos saibamos aproveitar o bom e ignorar o mau para não nos desentendermos com a vida e os outros.Beijos