Entretanto continua á espera de pretendentes antes de ir para a loja.
Beijos a todos.


Tinha mais ou menos cinco ou seis anos, e um dia estava eu sentada no parapeito da janela á espera que alguma menina dali, chegasse para brincar. Estava proibida de sair dali pela minha mãe e avós, que constantemente me diziam que não podia sair daquela rua (que não é grande), que não podia falar com estranhos, e que não podia abrir a porta a ninguem. Como era um bocado (grande) "bicharoca" e não falava mesmo com ninguem não me custava nada cumprir aquelas imposições. Por isso ali estava eu completamente sosinha, sentada no parapeito da janela do quarto da minha bisavó, com as pernas para fora, e os pés quase a tocar o chão da rua. Em casa só estava a minha avó, que andava devagarinho, pois tinha uma tromboflebite em cada perna.
Naquela altura não havia a quantidade de carros que há agora, e aquelas ruas não tinham sido consebidas para essas modernices, por isso são bem estreitas.
Quando um carro entra na rua andando devagar direito a mim, e parando na diagonal e relação ao passeio, fiquei a olhar para ele curiosa. Era branco, e claro que não me lembro da marca. Mas lembro-me do rosto do condutor, e nunca me hei-de esquecer dele. Era de um homem magro e muito claro. Rosto oval e muito carrancudo. Não tirava os olhos de mim, e acho que foi isso que me assustou...
O outro homem que ia ao lado não me lembro do seu rosto, mas foi esse que me acenou com uma caixa de bombons, grande e linda.
-Anda cá, toma... é para ti!
Foi o que ele me disse, mas eu, como bichinho do mato que era, num ápice meti as pernas para dentro de casa e berrei a plenos pulmões pela a minha avó, enquanto corria ao seu encontro. Mas ela andava devagarinho, e quando lá chegámos, apenas havia caída no chão a caixa de bombons...vazia pois então. Do carro e seus ocupantes, nem sombras.
Não sei o que teria acontecido se eu fosse uma menina simpática, e tivesse lá ido...Onde estaria agora? Ou não teria acontecido nada?
Nunca saberei!
Mas sei que tudo isto não foi um sonho ou imaginação de criança. Lembro-me perfeitamente destes momentos, mas não faço deles um pesadelo, só os conto de vez em quando ás minhas filhas, para que elas percebam que nunca se devem aproximar de estranhos se eles as chamarem. O mundo não é uma roseira cheirosa e sem espinhos, pode até ser um lugar muito perigoso se não estivermos alertados, e atentos.
Quis partilhar esta experiência convosco, porque acho importante falarmos destas coisas escondidas no nosso passado. Todos temos a mania de dizer que "certas coisas", só acontecem aos ouros, mas esquecemo-nos que nós somos os outros para as outras pessoas, portanto não estamos livres de nada.
Retiram-se tumores, implantam-se seios e cabelos, troca-se o sexo, contrariando a propria Natureza...
Mas ainda não conseguimos fazer na perfeição, o mais importante de todos os orgãos, um coração que nos mantenha vivos, quando o nosso tem defeito.
Ainda é preciso esperar que alguém morra para poder salvar a vida de outro alguém que está em lista de espera.
Que triste que é a nossa impotência perante o que ainda não sabemos....
Mas lá chegaremos.
Agora vem a parte dificil que é escolher mais cinco amigos sem ofender todos os outros. De qualquer das maneiras gosto de todos os que visito.
Então cá vai:
Just Tinks... que é de uma "menina "que está a passar por uma faze muito complicada da sua vida, e que nos faz pensar que afinal nós não temos problemas nenhuns e ainda nos queixamos da vida. Um grande beijinho para ela.
Mulher a dias moderna, que nos faz rir das coisas banais do dia a dia de uma senhora simples, que faz limpesas na casa de uma outra da alta sociedade.
Bichanos do Porto, que têm ajudado tantos amiguinhos peludos a encontrar outras casas para morar.
O Profeta, que nos faz sonhar com as suas palavras mágicas.
A paixão dos sentidos, onde aprendemos coisas sobre a Natureza que nos rodeia.
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Quero agradecer agora a todos os que deixaram o seu comentário na postagem anterior.
Ás vezes a opinião honesta de outra pessoa pode fazer a diferença entre continuar algo ou não. Já tenho abandonado outros projectos em que tentei começar, mas acabei por descobrir que não tinha jeito para tal. Desta vez vou continuar a treinar os meus rabiscos, para depois me lançar aos óleos (a tela já cá está, à uns tempos).
Gosto de rabiscar com muitos pormenores, mas este material que estou a uzar não o permite, por isso sinto-me um pouco mais realizada com os de caneta de "Tinta da China", embora as cores fortes me façam falta.
Já tenho mais dois, mas neste momento o bloguer não me deixa publicá-los. Vão ter de ficar para amanhã.
Acabou por demorar o dobro do tempo porque desta vez ninguem lhe apeteceu cortar os fios e o trabalho foi todo meu.
Mas acho que valeu a pena!